Ciúmes excessivo: como controlar o ciúmes e reconhecer os sinais

O ciúme, quando é leve e ocasional, lembra ao casal que um não deve tomar o outro como garantido. Mas, quando é tóxico e irracional, afeta a estabilidade do relacionamento. O ciúmes excessivo, ou ciúme doentio, é destrutivo e leva a mais brigas. Neste artigo, descubra os sinais do ciúme tóxico, as consequências que ele provoca e como tratá-lo.

Ciúmes excessivo: o que é?

O ciúme doentio é uma emoção nociva que pode surgir em qualquer tipo de relação íntima. Ele se aproxima da paranoia pelo fato de a pessoa se comparar aos outros e se sentir frustrada, inferior e patética. O objetivo, aqui, é assumir o controle total da relação. Por isso, o exagero, a autopiedade, as mentiras, as ameaças e/ou a manipulação são muito usados por um parceiro cronicamente ciumento.

Quais são os sinais do ciúme doentio? Dependência emocional

Veja alguns sinais que podem ajudar você a identificar a crise de ciúmes excessivo em um parceiro ou em uma parceira ciumenta:

  1. O medo de perder o afeto do outro
  2. O sentimento de inferioridade e a falta de confiança em si mesmo
  3. A vontade de controlar o outro e de ser o centro da vida dele

1 º sinal: o medo de perder o afeto do outro

No caso de um ciúme tóxico, o medo de perder o amor do outro é sinal de dependência emocional. O parceiro dependente fica apavorado com a ideia de ser abandonado por quem ama. Tem medo de romper o vínculo de apego que o liga ao companheiro. Esse medo doentio de perder o afeto da outra pessoa está ligado à emoção profunda de ser incapaz de viver sem esse parceiro.

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2 º sinal: o sentimento de inferioridade e a baixa autoestima

Todas as pessoas com dependência emocional desenvolvem um sentimento de inferioridade no plano afetivo. Têm baixa autoestima e entram em um relacionamento com o amor próprio diminuído. O amor por si mesmo é um vetor de estabilidade emocional. É a base da construção narcísica que, na dose certa, permite depois desenvolver uma autoestima forte.

É ela que ajuda você a se valorizar e a se sentir digna de afeto. Ora, um parceiro com dependência emocional nem sempre apresenta as características de alguém que se sente digno de afeto. Nunca fica tranquilo quanto ao afeto e ao envolvimento da pessoa amada. Tem a sensação de não merecer a relação ou de não ser digno de amor.

3 º sinal: a vontade de controlar o outro e de ser o centro da vida dele

Para manter a autoestima no auge, o dependente emocional precisa da admiração do outro. Precisa do seu olhar favorável, do seu afeto e da sua submissão para revitalizar um amor próprio bastante fragilizado. Como não consegue acreditar na própria existência sem existir no olhar do outro, vai querer toda a atenção do parceiro. Além disso, vai desenvolver um ciúme injustificado de qualquer coisa a que o outro se dedique fora da relação: é o chamado ciúme possessivo.

Ciúme doentio: as consequências na vida do casal

O ciúme obsessivo, conhecido também como síndrome de Otelo, costuma ter um impacto negativo na qualidade geral de um relacionamento:

  1. Ele gera dependência emocional e falta de confiança entre os parceiros. O parceiro ciumento pode desenvolver paranoia por causa do ciúme tóxico.
  2. Ele também provoca transtornos psíquicos e comportamentais no ciumento possessivo. O parceiro ciumento pode, por exemplo, chegar à violência física ou verbal. Pode provocar ansiedade, falta de confiança e de autoestima. Da mesma forma, pode se entregar a uma manipulação desmedida, capaz de mergulhá-lo no tormento. 
  3. A honestidade do parceiro é posta em dúvida, e ele se torna vítima de falsas acusações. Essas acusações, que vêm da imaginação, afastam o parceiro. Em seguida vêm o término e o fim do relacionamento.
  4. O ciúme patológico também provoca alguns problemas físicos, que se manifestam por sintomas como palpitações causadas pela ansiedade, hipertensão arterial, distúrbios do sono e insônia, dores de cabeça e de estômago, disfunção do sistema imunológico, dor no peito, ganho ou perda de peso e perda de apetite.

Uma pessoa ciumenta em excesso pode mudar?

Sim, o ciumento obsessivo tem capacidade de mudar e de se curar. Existem várias abordagens para chegar lá. Antes de tudo, a pessoa ciumenta precisa tomar consciência desse traço de caráter, tóxico tanto para ela quanto para o parceiro. Só é possível fazer isso por meio de uma comunicação franca e sem filtros com o companheiro.

Como controlar o ciúmes e lidar com um(a) parceiro(a) muito ciumento(a)?

Agora que você sabe reconhecer o ciúmes excessivo, veja algumas recomendações para os dois parceiros, seja você ou não a pessoa mais ciumenta do casal.

Se você tem um parceiro muito ciumento

  • Verifique se você faz algo que desperta o ciúme
  • Interrompa essa atividade ou esse envolvimento por algum tempo, para mostrar ao seu parceiro que você está comprometida com a vida a dois
  • Demonstre abertamente seu afeto pelo seu parceiro
  • Fale livremente sobre o problema com seu parceiro
  • Peça com frequência o ponto de vista dele e procurem soluções juntos

Se você é o parceiro muito ciumento

Quer saber como controlar o ciúmes e se tratar de um ciúme doentio? Aplique estes conselhos:

  • Converse com amigos de confiança e escute o que eles dizem 
  • O ciúme que você manifesta pode vir de você, e não do seu parceiro
  • Seja sincera com você mesma e faça uma introspecção para descobrir o que provoca esses sentimentos
  • Pratique meditação e faça ações de caridade
  • Veja seu parceiro de maneira mais positiva
  • Diga ao seu parceiro o que você sente
  • Admita o seu ciúme e seja franca, sem acusar nem enganar.

A ligação entre o ciúmes excessivo e o abuso narcisista

O ciúme doentio e o abuso narcisista costumam estar intimamente ligados, formando um círculo vicioso destrutivo nos relacionamentos. Os indivíduos narcisistas podem manifestar ciúmes em excesso em relação ao parceiro. Esse ciúme se torna uma ferramenta de manipulação emocional, que permite ao narcisista manter seu domínio sobre o outro.

Ao mesmo tempo, o ciúme patológico pode ser o terreno fértil em que se desenvolvem comportamentos narcisistas abusivos. A insegurança profunda que alimenta o ciúme leva o indivíduo a buscar constantemente atenção e admiração, características típicas do narcisismo. Assim, esses dois traços psicológicos se alimentam mutuamente, criando um ambiente relacional tóxico em que a confiança, a autonomia e a autoestima do parceiro são sistematicamente minadas.

Referências bibliográficas sobre o ciúme doentio

  1. Marazziti, D., Di Nasso, E., Baroni, S., et al. (2003). « The Neurobiology of Pathological Jealousy. »
    World Journal of Biological Psychiatry, 4(1), 55-61.
  2. Djerada, S. (2019). « Jalousie et psychopathologie : La jalousie dans les relations de couple. »
    Revue de Psychopathologie Clinique et Thérapeutique, 35(2), 77-89.
    Uma análise aprofundada do ciúme patológico e de suas ligações com diferentes transtornos psicológicos nas relações de casal.
  3. Limosin, C., & Azorin, J.-M. (2015). « Jalousie morbide : Approches cliniques et thérapeutiques. »
    Psychiatrie de l’Adulte, Vol. 7, 103-120.
    Essa obra aborda as diferentes formas de ciúme doentio e os tratamentos possíveis.
  4. Silva, H., & Leite, P. (2017). « Pathological jealousy: Symptoms, causes, and treatment options. »
    Journal of Clinical Psychiatry, 68(3), 512-518.
    Uma revisão completa dos sintomas e das causas do ciúme patológico, com um panorama das opções de tratamento.
  5. Dutton, D.G., & Painter, S. (1981). « The Criminal Jealousy Syndrome: Impressions from Criminal Justice System Professionals. » International Journal of Law and Psychiatry, 4(2), 201-210.
    Esse estudo se concentra nas implicações criminais do ciúme patológico, em especial nos casos de violência conjugal.
  6. Mullen, P.E. (1990). « Jealousy: The Pathology of Passion. » The British Journal of Psychiatry, 157(5), 593-601.
  7. Easton, J.A., Schipper, L.D., & Shackelford, T.K. (2007). « Morbid jealousy and intimate partner violence. » Aggression and Violent Behavior, 12(3), 364-375.

O ciúmes excessivo como uma prisão

Em resumo, o ciúme doentio, na mulher ou no homem, está longe de ser um refúgio de paz para o casal. É uma prisão em que o prisioneiro tem de seguir as regras e as inseguranças do carcereiro, sob pena de ser punido. Não há lugar nem consideração para a confiança, a originalidade ou o crescimento pessoal. Felizmente, existem caminhos que podem ajudar o casal a vencer o ciúme.

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