O sadomasoquismo já foi considerado uma prática sexual degradante e, durante algum tempo, até uma doença. Essa prática ainda guarda certo mistério: repugnante e penosa para alguns, intrigante e misteriosa para outros. Por isso, vamos explicar em que ela consiste. Sadismo sexual : é um perfil psicológico que pode se apresentar em diferentes variantes. A que diz respeito à sexualidade é, sem dúvida, a mais intrigante, e até perturbadora. O fato de envolver o sexo, um assunto ainda bastante tabu, não ajuda em nada a compreender o sadismo sexual.
O que é sadomasoquismo?
Podemos definir o sadomasoquismo como uma prática sexual em que se recorre à dominação, à dor e à humilhação, com o objetivo de chegar ao prazer. Essa definição de sadomasoquismo pressupõe a existência de dois parceiros. De um lado, aquele que tem um desejo de submissão, o masoquista. Do outro, aquele que tem um desejo de dominação, ou seja, o sadismo sexual.
Mas, afinal, qual é a diferença profunda entre o sadismo e o masoquismo? O sadismo é a parte mais problemática dessa prática, e é por isso que ela é tão difícil de aceitar. Nos desvios mais graves, o sadomasoquismo extremo pode chegar a agressões ou estupros, por exemplo. Observa-se que é o caso de indivíduos que têm uma personalidade despedaçada.
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O sadismo na personalidade narcisista: um passo a mais rumo à escuridão
O estilo de personalidade sádica dominante compartilha traços com o narcisismo e a psicopatia, mas vai ainda mais longe. Essas pessoas obtêm uma gratificação especial com a humilhação dos outros. Imagine um narcisista que não só procura dominar você, como sente um prazer real em fazer você sofrer. Assustador, não é?
Os sinais que revelam um narcisista sádico
Veja alguns comportamentos que podem indicar que você está diante de um narcisista com tendências sádicas:
- Uma crueldade deliberada
- Uma necessidade intensa de dominação
- Atos de intimidação frequentes
- Humilhações repetidas
- A restrição das suas liberdades
Se esses sinais parecem familiares, saiba que você não está sozinha e que a culpa não é sua.
O que é sadismo sexual enquanto transtorno?
O sadismo sexual é definido como o perfil psicológico de uma pessoa que obtém prazer com o sofrimento dos outros. Ela pode ser a autora desse sofrimento ou uma simples observadora. Sente excitação sexual onde uma pessoa comum sentiria medo ou mal-estar diante da violência.
Essa crueldade sexual, presente nas pessoas sádicas, é o que faz o sadismo fugir do bom senso. Às vezes descrito como simples excentricidade sexual, ele é, em certo sentido, extremo demais.
Por que o narcisista se torna sádico?
Ao contrário do narcisista “clássico”, que procura compensar suas inseguranças, o narcisista sádico parece desligado de qualquer empatia humana. É como se houvesse uma ruptura completa com aquilo que faz de nós seres humanos bondosos. Essa ausência total de remorso pode ser especialmente traumatizante para as vítimas.
O impacto devastador sobre as vítimas
A exposição a um narcisista sádico pode causar traumas psicológicos profundos. As vítimas costumam descrever a sensação de estar na presença do mal absoluto. O choque pode ser tão intenso que as sequelas persistem durante anos se não forem tratadas corretamente.
O sadomasoquismo é uma doença?
Se nos basearmos no estudo do masoquismo em psicologia, não é uma doença. Ele é considerado uma excentricidade sexual. “Gosto não se discute”, e por isso não se pode realmente censurar a existência dessa prática, nem condenar quem a pratica. Ainda assim, é importante lembrar que, embora não seja proibida, ela é bastante arriscada. Por isso o consentimento entre os parceiros é fundamental.
Sadomasoquismo: as causas dessa prática
As razões que podem levar a essa prática sexual são bastante numerosas:
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A simples curiosidade. Algumas pessoas se perguntam o que isso pode trazer, o que sentem aqueles que se entregam a essa prática ou, ainda, como saber se são masoquistas. Sendo o ser humano um animal curioso por natureza, é algo que pode intrigar. E, ao experimentar, algumas pessoas tomam gosto e se deixam envolver.
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O desejo de submissão. Para o masoquista, o fato de se submeter carrega uma ideia de fraqueza. Segundo alguns psicólogos, isso se traduz em certa falta de autoconfiança. De fato, quem se submete perde toda a possibilidade de conduzir a situação e deixa de ser obrigado a pensar por si mesmo. Em uma sociedade como a nossa, em que cada decisão conta e em que vivemos sob pressão constante, essa prática é vista como uma forma de recreação. Durante esse momento, a pessoa pode sair do seu papel e assumir outro, para descarregar a pressão interna e a frustração.
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O desejo de dominação. O desejo de dominação e de poder presente no sadismo carrega um desejo de controle. Na maioria dos casos, supõe-se que essa pessoa está longe de ser realizada. Alguns psicólogos afirmam que esse desejo de dominar e de infligir sofrimento indica que a própria pessoa se sente oprimida. Então, para se afirmar e sair dessa versão oprimida de si mesma, ela se torna a opressora.
O sadomasoquismo é uma prática saudável?
As opiniões podem ser bastante divididas nessa questão. Dizer abertamente que essa prática não é saudável é classificá-la como perversão narcisista. E dizer que é saudável equivale a abrir a caixa de Pandora. Podemos afirmar que isso vai depender, sobretudo, dos parceiros.
Sem dúvida, na ausência de consentimento, isso pode ser realmente perigoso para o masoquista. Ele pode cair nas mãos de uma pessoa mal-intencionada e a prática pode sair do controle. Nesse caso estará em perigo, pois as agressões ao corpo são a marca dessa prática. Ainda mais porque o algoz pode ultrapassar o consentimento da vítima, que terá de suportar.
O sadismo é uma doença?
Essa pergunta tem certa legitimidade. A resposta é que ele só se torna uma doença quando assume um caráter criminoso e repetitivo. Isso significa que o transtorno de comportamento varia conforme o grau de sadismo, e que o sadismo no plano sexual tem diferentes níveis. Eles o tornam doentio à medida que o grau de crueldade aumenta.
Nossa afirmação pode parecer supérflua. Se olharmos com os olhos do senso comum, o sadismo é um transtorno mental grave. No entanto, um olhar tão radical não pode ser aplicado ao nosso caso.
O diagnóstico do transtorno de sadismo sexual: os sinais
Segundo o MSD, o sadismo sexual é um transtorno que provoca, em certa medida, um desejo de destruição. São as pessoas ao redor que ficam expostas a perigos reais, já que esse transtorno busca um sofrimento intenso para infligi-lo a alguém.
Veja os diferentes sinais que permitem identificar esse transtorno:
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A pessoa é refém do próprio comportamento. Em alguns casos, é incapaz de reprimir seus impulsos. Assim, não é totalmente dona do próprio corpo. Pode-se até dizer que fica em uma espécie de transe e deixa de raciocinar normalmente.
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Os atos do sádico podem chegar a extremos. Passando por cima dos valores morais, ele pode resvalar para o mórbido. É o caso, em especial, das torturas ou dos golpes violentos e mortais. Essas situações podem ocorrer nos casos de prática sadomasoquista não consentida.
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Os atos cometidos pelo sádico são praticados sem o consentimento da vítima. Seríamos então tentados a pensar que o estupro é o exemplo mais simples de um ato de sadismo sexual. Os números parecem dizer o contrário, já que o transtorno de sadismo sexual estava presente em apenas 10% dos estupradores, enquanto aparecia em 37 a 75% dos autores de homicídios por motivos sexuais.
Um teste para revelar as personalidades sádicas
O sadismo parece simples de entender pela definição do termo, mas é difícil de delimitar quando estudado em profundidade. Por isso, a pergunta “quando se diz que uma pessoa é sádica?” é complexa.
Foi nessa perspectiva que a Dra. Rachel Plouffe concentrou suas pesquisas. Um teste facilmente acessível na internet permite ter uma boa ideia do que é o sadismo. Ele consiste em uma série de perguntas de múltipla escolha, cujas linhas gerais são as seguintes:
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Analisar o seu comportamento em sociedade. Para isso, são feitas perguntas sobre a maneira como você trata as pessoas ao seu redor.
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Medir o seu grau de empatia. Quanto mais baixo ele for, mais fácil será para você fazer mal a alguém.
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O fascínio pelo mórbido. Esse ponto é bastante extremo. De fato, algumas pessoas podem demonstrar um fascínio perturbador por atos de violência que o bom senso condena.
Quais são as particularidades dos agressores sádicos?
Como vimos, os agressores sádicos têm características próprias. Veja as diferentes particularidades que podemos destacar.
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Os estudos revelaram que a grande maioria das pessoas afetadas por esse transtorno era composta de homens. A razão pode estar na relação de força física, que deixa a mulher em desvantagem. Mas o que é um homem sádico? É um homem que sente prazer com o sofrimento alheio.
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O fato de o objetivo sexual ser o ponto buscado pelo sádico o diferencia do estuprador. Este é movido por um desejo carnal, enquanto o sádico sexual não vai agredir apenas de forma sexual. Ou seja, os atos que ele comete têm outra essência, e a base é essa busca pelo sofrimento do outro.
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Presente em um relacionamento tóxico, às vezes. Nesse cenário, o sádico tem uma vítima à sua disposição e vai se aproveitar disso para atingir seus objetivos.
O tratamento do sadismo sexual e de transtornos associados
Optar pela via medicamentosa não é possível no caso do sadismo sexual. Ao que parece, o melhor continua sendo o acompanhamento para conter esse transtorno. Recorrer a um terapeuta ou a um psicólogo é o caminho mais seguro. Não se pode esquecer que, por ser um transtorno de comportamento, a maior parte do mal está na mente.
O narcisista é um sádico?
É preciso não confundir as coisas. O narcisista não é necessariamente um sádico. Pode-se fazer uma aproximação entre os dois: o traço que os une é a capacidade de destruir o outro. O sádico age por impulso, enquanto o narcisista é movido por um sentimento de necessidade.
Isso quer dizer que o que ele faz serve para preencher o estado de carência em que vive. E, se agride, é apenas com esse objetivo. Já o sádico, ao contrário, sente pleno prazer no que faz.
A posição de Krafft-Ebing e Freud
Os nomes de Richard Von Krafft-Ebing e de Sigmund Freud ocupam lugares importantes na definição do sadomasoquismo. Eles se debruçaram sobre a evolução dessa prática ao longo da história. O objetivo era entender a relação entre a excitação sexual e o abuso ou a violência.
A análise de Richard Von Krafft-Ebing
Segundo a análise dele, o sadismo e o masoquismo são as duas faces de uma mesma moeda. Ele os considera anomalias sexuais complementares. Para ele, o sadismo encontra seu prazer na submissão diante do parceiro, enquanto o masoquismo sente prazer em dominar e cometer um abuso contra o outro.
A abordagem de Sigmund Freud
Assim como seu colega, Freud insistiu, antes de tudo, na complementaridade entre os dois ao analisar o sadomasoquismo no plano sexual. Para ele, não basta dizer que são simples anomalias: são bem mais complexos do que isso. As fantasias do sadomasoquismo em relação ao sexo são diferentes do que poderíamos chamar de normal.
Em sua abordagem, ele destacou que existe uma dupla identificação: de um lado, com o algoz e, de outro, com a vítima. O uso do termo vítima complica bastante as coisas, pois poderia sugerir que ela não consente de verdade. Ora, os dois deveriam estar na mesma sintonia para que isso seja realmente um prazer compartilhado.
A ideia contemporânea sobre o sadomasoquismo
A abordagem atual é bem diferente. De fato, tanto para o homem quanto para a mulher, o sadomasoquismo vendido em um vídeo no Tukif ou em um filme é uma realidade. A compreensão do ponto de vista social é o que intriga os cientistas.
Como o masoquismo pode trazer prazer no sofrimento? E o que é um masoquista? A pessoa chamada de masoquista é alguém que sente prazer em se sentir dominada. Esse tipo de pessoa pode se colocar em perigo em alguns casos, pois um narcisista perverso poderia se aproveitar disso.
A visão da sociedade sobre o sadomasoquismo
Para a sociedade, continua sendo uma prática bastante controversa, já que sentir dor ou infligir dor a outra pessoa é algo malvisto. A iniciação ao sadomasoquismo por meio de acessórios ou a leitura de um livro sobre o assunto não ajuda. A prática vai no sentido contrário da corrente de pensamento ou do bom senso da maioria. A ideia de viver e deixar viver é dificilmente aceita nessa situação.
O narcisista é adepto do sadismo ou é um masoquista?
Essa pergunta merece ser feita, tendo em vista o caráter do narcisista e o da pessoa sadomasoquista adepta do sadismo. A ideia de querer infligir dor e dominar outra pessoa aparece nos dois casos, e ambos podem ter efeitos nada desprezíveis sobre a vítima.
A nuance a fazer é a seguinte: um narcisista costuma, de fato, ter desejos de sadismo em relação à pessoa que controla, ao passo que alguém com impulsos de sadismo não é necessariamente um narcisista. Pode ser que essa pessoa use isso apenas como válvula de escape para a pressão que sente no dia a dia.
Para não confundir as coisas e não ficar perdida, caso você seja adepta dessa prática mas tenha dúvidas sobre a natureza do seu parceiro, um psicólogo poderá ajudar você a se situar e a analisar a sua situação. Um ponto de vista externo e profissional é sempre útil.
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