Vitimização narcisista: quando o narcisista se faz de vítima

A síndrome da vitimização narcisista é um meio de manipulação que algumas pessoas usam para alcançar os seus objetivos. A manipulação pode se manifestar de diferentes formas. Neste artigo, explicamos como identificar a vitimização e o que acontece quando o narcisista se faz de vítima.

O que é a síndrome de vitimização narcisista?

A síndrome de vitimização narcisista é um transtorno de personalidade que tem origem no controle psicológico exercido por um narcisista. A síndrome de vitimização pode estar presente durante esse domínio psicológico e até depois do fim dele. Mas como se chama uma pessoa que se faz de vítima? No jargão, fala-se em falsa vítima; e esse papel também pode ser assumido pelo narcisista.

Os sinais da síndrome de vitimização narcisista

Para saber como reagir diante de alguém que se vitimiza, é preciso primeiro saber como detectar uma pessoa que se vitimiza. Aqui estão alguns indícios:

1. Ansiedade

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A vítima pode deixar transparecer reações físicas incontroláveis, que vão de uma simples ansiedade até uma submissão total aos maus-tratos. A vítima apresenta tendências masoquistas por causa dos maus-tratos que sofreu antes ou da culpa que o agressor a fez sentir.

2. Depressão

A submissão costuma vir acompanhada de depressão. A queda da autoestima leva a vítima a pensamentos sombrios, que podem até conduzi-la a tendências suicidas.

3. Falta de confiança

Depois de um longo período de manipulação psicológica, a autoestima cai. A vítima tende a se comparar com os outros para se valorizar. Além disso, ela perde pouco a pouco a confiança nos outros, sobretudo porque pode se sentir inferior a eles.

4. Codependência

O narcisista manipula a vítima para que ela não consiga mais se mover livremente. Na prática, o controle psicológico leva a uma dependência emocional total da vítima de narcisista em relação ao seu agressor.

5. Transtorno alimentar

Os transtornos mentais afetam o corpo. A perda de apetite é uma das consequências da vitimização narcisista. A vítima pode não conseguir controlar essa situação sem a ajuda de um profissional.

6. A negação

A vítima já não consegue ter uma percepção justa da realidade. Ela não reconhece que está sob o controle psicológico de outra pessoa. No entanto, quem está ao redor percebe bem que a vítima não consegue se desligar do agressor.

7. Autovitimização

Algumas pessoas tendem a ver o mal em toda parte, e isso está no fato de compararem a própria vida com a dos outros. O problema é que elas só veem o melhor nos outros e o pior em si mesmas. É aí que o vitimismo se revela na psicanálise.

8. Síndrome do salvador

A síndrome de vitimização narcisista não deve ser confundida com a síndrome do salvador (teste da síndrome do salvador). No caso da síndrome do salvador, a pessoa tem uma necessidade patológica de se sacrificar pelo bem dos outros. Ela não está necessariamente sob o controle de um narcisista.

Como o narcisista desenvolve a vitimização na sua vítima?

Para desenvolver a vitimização em uma pessoa, o narcisista identifica os pontos que fragilizam a vítima e que a tornam fácil de manipular.

  • É possível que a vítima já tenha um histórico de vitimização, mas tenha conseguido se libertar dele. Nesse caso, a pessoa pode sofrer de vitimização patológica, e o narcisista pode usar essa patologia a seu favor.
  • O ser humano está em busca permanente de conforto e de segurança. Uma vítima que já passou por um divórcio pode ser facilmente manipulável, pois o narcisista pode explorar a insegurança que ela sente diante da ideia de ficar sozinha de novo.
  • O uso de técnicas de manipulação como as mentiras permite ao narcisista desenvolver a vitimização na sua vítima. O narcisista e a mentira estão profundamente ligados.
  • O narcisista emprega a autovitimização para manipular a vítima. Como dito um pouco acima, a síndrome da vitimização vem acompanhada da síndrome do salvador. A vítima pode se sentir muito importante para o narcisista e acaba envolvida em um mundo de ilusão.

Como se manifesta a vitimização do narcisista durante o divórcio?

  • Autovitimização do manipulador

A vitimização é observada com mais frequência na vida a dois quando um dos cônjuges trai o outro. Quem traiu leva o outro a se sentir responsável pela situação e tenta por todos os meios ocupar o lugar de vítima. O narcisista se autovitimiza nesse caso, e, sobretudo, a vítima não consegue perceber que está diante de uma pessoa que se faz de vítima.

  • O narcisista toma a iniciativa da separação

Durante a separação, o narcisista pode se antecipar e dar início ao processo de divórcio. O objetivo dele é fazer o parceiro ou a parceira se sentir culpado(a). Quando o narcisista se faz de vítima, ele espera que a outra pessoa se sinta culpada e interrompa o processo de divórcio por vontade própria. É o caso da vitimização do manipulador para reforçar o seu controle psicológico.

Qual é a diferença entre vitimização e vítima?

A principal diferença entre vitimização e vítima está na capacidade de controlar ou não o domínio do narcisista.

  • A vítima do narcisista sabe que é um alvo. Ela sabe como lidar com as técnicas de manipulação do narcisista e como evitar ser manipulada pelo predador.
  • A vitimização é a fase seguinte à manipulação. Na prática, quando a vítima cai sob o controle psicológico do narcisista, fala-se em vitimização. Os diferentes sinais de inferioridade começam a aparecer, e um círculo vicioso se instala.

Como lidar com a síndrome da vitimização narcisista?

Lidar com a síndrome da vitimização é um processo longo e trabalhoso. Mesmo depois que o domínio é desfeito, é provável que os sinais da síndrome voltem à tona de forma inesperada.

  • O primeiro passo para lidar melhor com a síndrome da vitimização é superar a negação. Aceitar que se está ou se esteve sob o controle psicológico de um narcisista é fundamental.
  • Elevar a autoestima é a etapa seguinte, pois em quem sofre da síndrome da vitimização narcisista se observa uma autoestima baixa. Para isso, a vítima precisa contar com ajuda profissional, como a de um psicanalista, e com uma rede de apoio bem definida, como a família e os amigos.

Existem ganhos secundários por trás da vitimização?

  • Para a vítima, a vitimização não traz benefícios. Ela ficará mentalmente fragilizada e poderá ter uma recaída se encontrar um novo narcisista. A vítima também pode apresentar a síndrome de Calimero, que faz você acreditar que o mundo inteiro está contra você.
  • A vitimização pode ser benéfica para o narcisista, pois pode assumir a forma de um sistema de defesa para ele. Na verdade, um narcisista pode ter sido vítima de outro narcisista na infância e, ao imitar a vítima, consegue se proteger.

Referências bibliográficas sobre a síndrome de vitimização narcisista

Aqui estão sete referências bibliográficas sobre o tema da “síndrome de vitimização narcisista”:

  1. Lemoine, C. (2018). Le narcissisme et ses dérives : Comprendre le syndrome de victimisation narcissique. Paris : Éditions de la Sorbonne.
  2. Miller, J. (2019). Le narcissisme : Un miroir déformant des relations humaines. Paris : Presses Universitaires de France.
  3. Kernberg, O. (2016). Les pathologies narcissiques : Théorie et pratique clinique. Paris : Éditions Odile Jacob.
  4. Pichot, P. (2020). Victimisation et narcissisme : Une approche psychanalytique. Revue Française de Psychanalyse, 84(3), 345-360.
  5. Grosjean, A. (2021). La victimisation dans les relations interpersonnelles : Aspects psychologiques et sociaux. Toulouse : Éditions Érès.
  6. Dumont, F. (2017). L’impact du narcissisme sur la dynamique de la victimisation. Psychologie et Sociétés, 9(2), 123-139.
  7. Bouchard, M. (2022). Narcissisme et stratégies de victimisation : Une analyse systémique. Psychothérapie, 45(4), 256-272.

Essas referências oferecem perspectivas variadas sobre o assunto, abordando tanto os aspectos teóricos quanto os práticos da síndrome de vitimização narcisista.

Conclusão

Em conclusão, a síndrome da vitimização narcisista representa uma dinâmica complexa em que a manipulação e o sofrimento se entrelaçam. É fundamental reconhecer os sinais dessa vitimização, tanto na pessoa afetada quanto no manipulador, para compreender melhor e desarmar esses ciclos destrutivos. A tomada de consciência é o primeiro passo rumo à cura, e um apoio psicológico adequado pode ser decisivo para as vítimas. Em suma, desmistificar essa síndrome e os seus mecanismos lança luz sobre comportamentos muitas vezes mal compreendidos, abrindo assim um caminho para a resiliência e a reconstrução pessoal.

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