Transtorno alimentar e narcisista: o controle alimentar na relação

Um transtorno alimentar em pessoas narcisistas não se nota à primeira vista. Quanto mais você convive com alguém assim, mais percebe que se trata mais de uma patologia do que de uma manipulação. A ciência observou um comportamento excessivo em relação ao apetite nos narcisistas, como a anorexia ou a bulimia. Como ele se manifesta, então?

O narcisista e a comida – o que é preciso saber?

O que é preciso saber sobre essa ligação do narcisista com a comida é o seguinte:

  • Ele sofre de falta de confiança em si mesmo, assim como a própria vítima de narcisista. O narcisista vive sob estresse constante e, por isso, acaba cedendo aos excessos à mesa, muitas vezes chamados de bulimia. Ele come não para matar a fome, mas para preencher um vazio, para abrandar um fogo que arde por dentro.
  • A comida consumida em excesso ou evitada permite que ele continue parecendo normal, sem que seja esse o caso. Quem pensa que o narcisista é um ser inabalável se engana redondamente. Ao agir assim, ele pune a si mesmo, perturbando o próprio bem-estar físico.

A relação da pessoa narcisista com a comida

Achando que mantém um ritmo de vida constante, a pessoa fica concentrada principalmente no peso e na comida que consome. A comida será a sua principal aliada para lutar contra o sofrimento emocional e a pressão gerados pelo próprio comportamento.

  • A presença de um desequilíbrio nos hábitos da pessoa  
  • O narcisista terá, portanto, ou uma vontade irresistível de comer de tudo, sem distinção, ou não vai querer comer nada. Isso implica uma punição de si mesmo, ou seja, ele vai impor um sofrimento ao próprio corpo, na esperança de dominá-lo.
  • O consumo exagerado de comida ou a proibição de comer permite que a pessoa domine o próprio corpo e o próprio pensamento. Por exemplo, jejuar ou adotar uma dieta hipocalórica faz com que ela sinta que leva a melhor sobre o corpo. O seu modus operandi é bastante parecido com o que ele faz com a vítima: manipulação, dominação e imposição de regras rígidas para fazer o relacionamento durar.  

Causas da compulsão alimentar no narcisista

Os especialistas notaram certa semelhança com pacientes clássicos, em especial jovens e não tóxicos. Veja as causas desse transtorno alimentar observado no narcisista:

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1. Falta de confiança em si mesmo ou baixa autoestima:

Pois é, os narcisistas que pareciam invencíveis são, na verdade, pessoas que sofrem. Para a vítima, é bastante estranho acreditar que o seu algoz sofre da mesma patologia que ela. Essa falta de confiança provoca nele crises recorrentes de bulimia ou de purgação (o ato de devorar tudo e depois vomitar).

2. Transtorno obsessivo-compulsivo ou TOC:

Surge na pessoa uma ansiedade que a impede de viver normalmente, como os outros. Os transtornos alimentares (TA) são uma série de perturbações do comportamento alimentar que a própria pessoa se impõe. Esses transtornos são fáceis de notar nas pessoas com narcisismo perverso, porque elas não conseguem consumir a comida de forma equilibrada.

Esse tipo de transtorno obsessivo-compulsivo causa mudanças de humor frequentes e incontroláveis no paciente. Isso se deve principalmente à depressão crônica que já o domina.

Quais transtornos alimentares podem se desenvolver no narcisista?

O que você precisa saber sobre o comportamento obsessivo do narcisista é que ele impõe uma punição a si mesmo. Esses transtornos são:

1. A bulimia e a purgação:

São comportamentos identificados principalmente em moças que têm problemas com o peso, com a autoestima e com o excesso de estresse. A pessoa narcisista come de forma exagerada, às vezes escolhendo alimentos específicos, como doces, às vezes não. Depois, a purgação acontece pelo vômito de tudo o que foi ingerido ou pelo uso de laxantes para acelerar o trânsito intestinal. O equilíbrio entre a bulimia e a purgação permite não ganhar peso demais e controlar, de forma desajeitada, o impulso.

Esse comportamento passou a ser observado no narcisista, já que ele sofre da mesma patologia psíquica que essa categoria de pessoas.

2. A anorexia:

Ela se manifesta principalmente pela ausência de apetite. Não comer nada ou reduzir ao mínimo a quantidade diária faz, logicamente, a pessoa emagrecer.

Ora, o narcisista vai considerar essa perda de peso considerável um troféu. Vai pensar que ela lhe permite dominar as emoções e os sentimentos, fonte da sua infelicidade. Já o ganho de peso causado pela bulimia ou pelos excessos à mesa será visto por ele como um fracasso amargo.

3. O transtorno da compulsão alimentar

A compulsão alimentar se diferencia da bulimia pelo fato de que o narcisista, doente, não reduz a comida. Ele come de forma descontrolada e não fica saciado. O vômito e os laxantes não são usados, e o ganho de peso é imediato.  

O paciente também não fará exercícios físicos nem jejum para aliviar o corpo, porque a patologia continua sendo psíquica.

Como ajudar um narcisista que tem um transtorno alimentar?

Em primeiro lugar, é necessário entender que a pessoa narcisista que tem um transtorno alimentar emocional é vítima do próprio narcisismo.

  • Se a pessoa em questão apresenta todos os sinais de transtorno obsessivo-compulsivo, é porque já está enviando sinais de socorro. O cérebro dela está mostrando marcas de sofrimento por causa da depressão.
  • Se as pessoas próximas quiserem ajudar, será preciso, de fato, perseverança e paciência. Depois de cerca de dois anos, os resultados poderão ser observados. O narcisista que apresenta um transtorno alimentar obsessivo vai precisar muito de quem está ao redor para se curar.
  • Ele também vai precisar de um momento de solidão e serenidade para cuidar de si mesmo. A isso se somam os medicamentos e a terapia recomendados pelo especialista.

Seria preciso, portanto, identificar no narcisista as causas do transtorno alimentar, como a ansiedade, a depressão e o excesso de estresse, para ajudá-lo.

A manipulação por meio da comida é uma forma traiçoeira de controle que os narcisistas às vezes exercem sobre as suas vítimas. Este artigo explora esse fenômeno e propõe caminhos para se libertar dele.

Entender o controle alimentar nos relacionamentos tóxicos

Em um relacionamento com um narcisista, a mesa pode virar um campo de batalha. O narcisista usa a comida como ferramenta de dominação, criticando as suas escolhas alimentares, impondo regras rígidas ou até restringindo o seu acesso a certos alimentos. Esse controle tem o objetivo de desestabilizar você e de afirmar o poder dele sobre você.

Um narcisista que vive sob o mesmo teto que a vítima pode restringir o acesso à comida de várias maneiras:

  • Trancar a geladeira ou os armários
  • Racionar as porções com rigor
  • Recusar-se a comprar certos alimentos
  • Controlar totalmente as compras e o orçamento da alimentação

Essa privação tem o objetivo de enfraquecer a vítima física e mentalmente, tornando-a mais dependente. A falta de comida pode causar cansaço, irritabilidade e dificuldade de concentração, o que reforça a manipulação psicológica do narcisista.

A imposição de dietas radicais pelo narcisista

Obcecado pela imagem, o narcisista pode impor dietas extremas a toda a família:

  • Dietas da moda muito restritivas
  • Exclusão total de certos alimentos
  • Contagem obsessiva de calorias

O objetivo é manter o controle sobre a aparência física do parceiro ou da parceira. Essas dietas costumam ser apresentadas como “para o seu bem”, mas na realidade servem para manter um domínio psicológico.

O próprio narcisista pode não seguir essas regras rígidas, criando dois pesos e duas medidas, algo frustrante e injusto.

As críticas permanentes sobre a alimentação

Mesmo sem restrições físicas, o narcisista recorre a comentários depreciativos:

  • Comentários incessantes sobre o peso
  • Culpabilização a cada refeição
  • Zombarias sobre as escolhas alimentares

Esses ataques têm o objetivo de criar insegurança e uma imagem corporal ruim. De tanto ouvi-las, a vítima pode acabar interiorizando essas críticas e desenvolver transtornos alimentares.

O uso da comida como recompensa ou punição

A comida se torna uma moeda de troca emocional:

  • Privação de refeições em caso de “mau comportamento”
  • Permissão para comer certos alimentos como “recompensa”
  • Uso de doces para manipular

Esse condicionamento reforça o domínio psicológico do narcisista.

Os sinais reveladores do controle alimentar do narcisista

Veja alguns comportamentos que podem indicar um controle abusivo ligado à comida:

  • Criticar constantemente os seus hábitos alimentares
  • Forçar você a comer ou a jejuar contra a sua vontade
  • Vigiar de perto o que você come
  • Usar a comida como punição ou recompensa
  • Impedir você de cozinhar ou de fazer as suas próprias escolhas alimentares.

A alimentação forçada pelo narcisista: a outra face do abuso

Ao contrário das restrições, alguns narcisistas podem tentar fazer a parceira ou o parceiro engordar:

  • Compra exclusiva de alimentos muito calóricos
  • Insistência para raspar o prato
  • Zombarias quando você se recusa a comer
  • Sabotagem dos esforços para comer de forma saudável

O objetivo é diminuir a autoestima da vítima e torná-la menos atraente aos olhos dos outros, reduzindo assim o risco de que ela saia do relacionamento tóxico.

As consequências a longo prazo para a saúde

Esses comportamentos abusivos em torno da alimentação podem ter repercussões graves:

  • Transtornos alimentares (anorexia, bulimia, ortorexia)
  • Carências nutricionais
  • Problemas de saúde ligados ao sobrepeso ou à desnutrição
  • Ansiedade e depressão
  • Perda total da noção do que é uma alimentação equilibrada

A cura dessas sequelas pode levar anos, mesmo depois do fim do relacionamento tóxico.

O impacto psicológico do controle alimentar

Essa forma de abuso pode ter consequências graves para a sua saúde mental e física:

  • Desenvolvimento de transtornos alimentares: a pressão para controlar o que se come, venha ela de alguém próximo, da sociedade ou de si mesma, pode gerar transtornos como a anorexia, a bulimia ou a compulsão alimentar. Esses comportamentos disfuncionais ligados à comida podem, por sua vez, causar complicações físicas graves, que vão de carências nutricionais a danos duradouros para o organismo.
  • Perda da autoestima e da confiança nas suas escolhas: sentir-se constantemente vigiada ou julgada nas escolhas alimentares pode levar a uma perda de confiança em si mesma. Essa forma de controle alimenta uma dependência da validação externa e dificulta o sentimento de realização pessoal.
  • Ansiedade e estresse ligados às refeições: quando cada refeição se torna um terreno de julgamento ou de pressão, o prazer de comer desaparece e dá lugar a uma fonte de tensão constante. Essa ansiedade pode se estender a outros momentos do dia a dia, afetando a qualidade de vida de modo geral.
  • Culpa e vergonha em torno da comida: o controle alimentar impõe uma visão binária do “certo” e do “errado” nas escolhas nutricionais, o que pode gerar sentimentos de culpa a cada deslize ou exceção percebida. Essa vergonha às vezes se torna um fardo, prendendo a pessoa em um círculo de pensamentos negativos e de autocrítica.

Referências bibliográficas sobre o narcisista e a comida

Veja uma lista de 7 referências bibliográficas:

  1. Paul-Claude Racamier (1992). Le génie des origines. Paris : Payot.
  2. Alberto Eiguer (1989). Les structures narcissiques. Paris : Dunod.
  3. Marie-France Hirigoyen (1998). Le harcèlement moral : la violence perverse au quotidien. Paris : Syros.
  4. Anne Legraverand (2012). « Perversions narcissiques ». Le Journal des psychologues, n° 302, pages 68 à 72.
  5. Sébastien Villalba (2024). « Le “pervers narcissique” et l’appropriation d’un concept scientifique ». Contrepoints.
  6. Antoine Masingue et Luce Janin Devillars (2020). « Les pervers narcissiques : une réalité organisationnelle ? Exploration sémantique et théorique ». HAL Archives Ouvertes.
  7. Géraldine Wagner (2012). « Relation d’objet dans la perversion narcissique. Se soutenir : déconstruire l’autre ». L’Information Psychiatrique, vol. 88, n° 1, pages 21 à 28.
  8. Tinat, Karine. « Le contrôle extrême de la nourriture : un regard sur l’anorexie mentale à Mexico. » Journal des anthropologues, 2006, n° 106-107, pp. 105-122.
  9. Janin, Pierre. « Les défis de l’approvisionnement alimentaire : acteurs, lieux et liens. » Revue internationale des études du développement, 2019, n° 237, pp. 7-34.
  10. Organisation des Nations Unies pour l’alimentation et l’agriculture (FAO). « Systèmes de contrôle des aliments. »
  11. Organisation mondiale de la santé (OMS). « Outil d’évaluation des systèmes de contrôle des aliments : Introduction. »
  12. Ministère de l’Agriculture et de l’Alimentation (France). « La réglementation sur l’hygiène des aliments. »
  13. Oulé, Jean-Claude. « Le contrôle nourriture et boissons.
  14. Stengel, Kilien. « Gastronomie, petite philosophie du plaisir et du goût. » Bréal, 2010.

Essas referências vão oferecer a você uma compreensão aprofundada do narcisismo perverso, o que pode ajudar a explorar como esse tipo de personalidade pode interagir com comportamentos ligados à comida.

Conclusão

Em conclusão, a ligação entre o narcisismo perverso e os transtornos alimentares revela um sofrimento profundo, muitas vezes mascarado por comportamentos extremos. Seja bulimia, anorexia ou compulsão alimentar, esses transtornos traduzem uma tentativa desesperada de controle sobre o corpo para preencher um vazio emocional. Por trás da imagem de dominação, o narcisista é muitas vezes prisioneiro dos próprios demônios e precisa de um acompanhamento atento para ter esperança de cura.

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